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Archive for the ‘Cultura’ Category

Contar histórias para meu filho dormir fará de mim um contador de histórias melhor?

In Cultura on maio 6, 2015 at 11:51 pm

RICARDO responde: Não. Logo você vai perceber que as histórias que fazem seu filho dormir mais rápidamente são as mais descritivas e mais repetitivas.

Como, na hora de dormir, você também estará com sono, não vai resistir e vai usar essas histórias eficientes – e chatíssimas – com uma frequência cada vez maior.

Contar histórias para dormir, então, fará de você um contador de histórias pior do que você já é.

Minha filha de três anos guarda uma boneca da princesa Elsa na geladeira. Por mais que eu a tire, a princesa sempre volta para lá. O que devo fazer?

In Cultura on janeiro 13, 2015 at 10:38 pm

RICARDO responde: Primeiro: estude inglês. Sua filha – precoce – entendeu que a personagem do filme Frozen tem que ficar no frio. Nada de mais. A boneca não é muito grande e não vai tomar o espaço de nenhum prato na geladeira.

Acostume-se a tê-la por lá – pelo menos até o próximo filme de princesas da Disney.

Estou incomodado com a cantiga ‘A canoa virou’. Isso é normal?

In Cultura on agosto 24, 2014 at 10:16 pm

RODRIGO responde: Há muito, pais conscientes e defensores dos animais, não necessariamente nessa ordem, mobilizam-se contra o Atirei o pau no gato. Mas, como você já percebeu, existem cantigas bem mais sinistras. A estrutura básica de A canoa virou é a seguinte:

A canoa virou (tragédia)
Por deixar ela virar (é culpa de alguém)
Foi por causa do nomedobebê (olha o culpado)
Que não soube remar (burro ou despreparado)

Se eu fosse um peixinho (tentativa de retomar a fantasia)
E soubesse nadar (ihh…)
Eu tirava o nomedobebê (epa)
Do fundo do mar (já era)

Resumindo, por total incompetência do bebê, a canoa virou e todos foram para o fundo do mar (a segunda parte é só para tripudiar). Ainda assim, não é difícil achar comentários como “linda” ou “que bonitinha” em fóruns e sites de letras.  Ou seja, você, sim, é normal.

Minha filha de três anos me perguntou o que é uma “poderosa”. O que devo responder?

In Cultura on agosto 13, 2014 at 10:37 pm

RICARDO responde: Responda que poderosa é uma das menininhas poderosas (ou superpoderosas): Florzinha, Docinho e Lindinha.

Mesmo que você ache que ela ainda não viu o desenho das três meninas voadoras ela, certamente, sabe quem são.

Ah, e o Show das poderosas toca mesmo em festas de aniversário de três anos. Já ouvi em várias. Nada a fazer sobre isso.

Meu filho me pede para ler oito livros antes de dormir. O que fazer?

In Cultura on julho 18, 2014 at 3:43 am

RODRIGO responde: Se mesmo depois de oito livros, já tarde da noite, seu filho continua pedindo mais, só existe uma explicação: você lê bem demais. Leituras empolgadas, com vozes feitas sob medida para cada personagem, caras e caretas, são pedir para o moleque não desligar. Depois de um dia longo de trabalho, e aquela buchada com Skol Litrão no jantar, o ideal é não inventar. Leia devagar, quase parando, pule páginas, misture os nomes dos personagens e, entre uma coisa e outra, tente roubar o bichinho de pelúcia dos braços do seu filho… Quê? Seu filho não tem bichinho de pelúcia? E como é que você quer que ele durma?

Meu filho pediu um ovo de páscoa de 10 kg. O que respondo?

In Cultura on abril 14, 2014 at 3:18 am

RODRIGO responde: Que tal um estilo consciente: “Você sabia que, com o preço desse ovo, daria para comprar cinco cestas básicas?” Ou algo mais internacional: “Um tadjique teria de trabalhar em média três meses sem gastar um centavo para comprar esse ovo!” Ou um apelo à racionalidade: “Você não prefere 400 barras de Suflair?” Ou botar a culpa nos outros: “O Coelhinho não aguenta carregar um ovo tão grande…”

Agora, se ele insistir, mostre quem é que manda: “A vida não é assim, não! Vai comer seu ovo de 1 kg e não reclama!” [Nota: não ganhamos comissão.]

Minha filha de três anos ganhou da tia um CD da Annita. O que fazer?

In Cultura on outubro 1, 2013 at 6:57 pm

RODRIGO responde: Infelizmente, a maioria dos parentes é completamente desprovida de noção, o que resulta em presentes desse tipo: música enlatada, destituída de qualquer valor artístico e reprodutora de rótulos anacrônicos e desrespeitosos. Sua filha pode não entender agora, mas a única saída é, sutilmente, obrigá-la a ouvir pequenas obras-primas adequadas à sua idade. Tente, por exemplo, Os Saltimbancos ou A Arca de Noé. Ou alguma das belas atualizações de cantigas tradicionais lançadas nos últimos anos. Há ainda, sempre, as opções da música clássica e do jazz.

Guarde o disco da Annita para ouvir no carro indo para o trabalho.